quinta-feira, 5 de agosto de 2010

COMENTARIOS SOBRE OS ADOLESCENTES DA BARRACA ARUBA EM SALVADOR

À primeira vista deve ser bastante interessante e atrativo aos olhos de todos que se encontram por ali, observar quatro adolescentes em pleno espaço público expressando livremente suas orientações sexuais fora dos padrões tidos como normais.
Vivas!!! Essa nova era da modernidade já permite que as pessoas externem suas formas de ser explicitamente sem grandes agravantes. Sim!!! É uma louvável conquista de séculos que ainda se arrasta na ignorância da humanidade. Em 1232 na Itália, em hipótese alguma poderíamos assistir a um show desses meninos, pois o Papa Gregório IX decreta a inquisição italiana e queima homossexuais em plena praça pública, ou quem sabe algumas décadas depois na França, no reinado de Luís IX, período que homossexuais masculinos são castrados e queimados e lésbicas são executadas.
Todos nós sabemos que ao se falar da prática e da vivência da sexualidade dos homossexuais, hoje já conhecido como homoafetivos, sempre foi marcada pela não expressividade e de cunho privado. Hoje a questão se tornou algo público de interesse em todas as áreas do conhecimento.Não se conquista espaço sem exposição e batalha, como afirmou GUNTER WALLRAFF... "Resolver os problemas depende primeiro de torná-los visíveis, mostrar o que é insustentável".
Devemos agradecer aos militantes que iniciaram a luta por essa liberdade tal qual fez João silvério Trevisan em 1978 em plena ditadura militar com repressão e censura, criou o grupo SOMOS de libertação dos homossexuais em busca de valorizar a identidade homossexual.Que identidade é essa? não vejo hoje e acho imprevisível se definir um padrão que identifique os homossexuais.
Durante a apresentação do vídeo o qual voçê pode acessá-lo no endereço (http://www.youtube.com/watch?v=O-VEHHtmziQ) não se escuta entre eles uma forma de tratamento que se use o nome próprio, sempre o tratamento é feito por nomes pejorativos incutidos da própria cultura gay ou palavras de genêro feminino. É essa cultura que se adquire e informam as pessoas sobre o que não somos ou tal comportamento faz parte de um mecanismo de elevado potencial para superar os entraves da vida e viver eternamente num palco?
O que se assiste não representa uma realidade local, trata-se de um fato global enrraizado da nossa cultura evidenciado onde quer que estejamos. O que faz aqueles adolescentes acreditarem que são DIVAS? Para quem vê, obviamente pela ótica construtiva, irá notar meninos de corpos franzinos sem identidade alguma e que precisam de orientação sexual, pois estão imersos num mundo MATRIX o qual trará consequências futuras por acreditarem ser... "as melhores, as poderosas...", alvo de todas as câmeras e holofotes do mundo.
Para outros, estes são engraçados e motivos de chacotas, bons para fazer o povo rir e serem ridicularizados , sem contar que a plateia geralmente aguça ao extremo até o ponto de rirem e fazer de conta que eles são realmente tudo aquilo que falaram. longe de minha intenção não compreender os potenciais artísticos daqueles que sabiamente dominam suas artes e as mostram em público com bastante profissionalismo.
Um eles se define como "passivo", se oferece e diz que não tem dono. Quando será que os homossexuais deixarão de depender dos padrões heterossexuais para falar de si mesmos?
Que diferença faz ser uma coisa ou outra?Na intimidade de um casal o que importa é o sentimento e a troca do prazer, a forma que ocorre não precisa ser publicada, é da intimidade.
Não ter dono suscita a qualquer entendedor que a pessoa está sem compromisso ou aberto a oportunidade, mas para quem quizer? Qualquer um? Bem, ser homossexual não significa colocar o sexo à frente de tudo ou sair à procura de qualquer pessoa pra transar. Apesar de que muitos ainda vivem essa confusão e não se dão o respeito e terminam por não vivenciarem sentimentos, mas sim objetos descartáveis que passam de mão em mão.
Falta muito por fazer por nós mesmos e por estes e outros que estão por aí jogados sem quaisquer orientações para a vida.Na verdade, eles não são culpados por se apresentarem assim, infelizmente é a melhor forma que encontram para assegurar a própria existência diante de uma sociedade homofóbica, mas que caminha para a tolerância, o que precisamos é mostrar o outro lado que se esconde dentro de nós, o afeto, a bondade, o companherismo e o principal que é o respeito e a luta pelos direitos ainda não conquistados.
Para nós do PCH esta realidade não dever ser relegada ou ignorada, nem mesmo motivo de vergonha e desprezo, mas sim de objeto de estudo e preocupação, pois o que se verifica neste vídeo são consequências e não as causas.O nosso olhar deve ser de empatia e assumir a postura de um militante em busca de soluções que ao menos amenizem a situação e para tal, faz-se necessário doar-se e lutar por dias melhores.

Texto produzido por Eduardo Ildefonso, presidente do PCH

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